"Há dois modos de escrever. Um, é escrever com a ideia de não desagradar ou chocar ninguém .Outro modo é dizer desassombradamente o que pensa, dê onde der, haja o que houver - cadeia, forca, exílio". ML

19 de março de 2011

Caráter

Resolvi iniciar esta postagem de forma simples e direta, a começar pelo título. Por isso, usei uma simples palavra "caráter".

O caráter, pra mim, é a mais importante das qualidades que uma pessoa precisa ter. É o ponto de partida para tudo... uma pessoa que tem um bom caráter sabe como se portar e agir diante do mundo. Ela sabe respeitar, sabe ter consideração, sabe tratar bem as pessoas. 

E o essencial: ela sabe "se colocar no mundo". Sabe sim suas qualidades, mas sabe também seus defeitos. E o principal: sabe exatamente o que a diferencia dos outros (no bom e no mau sentido).

Pois é, normalmente as pessoas diriam: "a pessoa sabe que não é melhor do que ninguém". Mas acho que essa afirmação não cabe mais (principalmente nos tempos de hoje). Existem, sim, pessoas melhores do que outras. Isso é fato! 

Bom, eu sei que sou melhor do que um estuprador, do que alguém que tortura uma pessoa, do que alguém que maltrata uma criança, ou mesmo de quem maltrata um animal (quem não se achar melhor do que "isso", paciência! Boa sorte aí com sua auto-estima!).

Por isso que disse e repito: A pessoa tem que saber o que a diferencia dos outros. E uma pessoa de caráter sabe dar valor às coisas certas. O que torna as pessoas boas ou ruins, melhores ou piores, não é o dinheiro, a posição social, a fama ou o status que possuem, mas seus valores, suas atitudes.

Comecei a pensar sobre isso quando assisti, recentemente, ao filme "Anna e o Rei" (que é uma história real. E linda, por sinal!). Esse cara aí do lado é o rei do Sião, que contratou uma professora inglesa (Jodie Foster) para ensinar a seus filhos. 

Mesmo em meio a uma crise diplomática entre os dois países (Sião e  a Inglaterra imperialista), e mesmo naquela época, ele sabia o quão importante era uma educação global e voltada para a modernidade.

Isso já é um ponto extremamente positivo, não? Um homem que viveu em uma cultura oriental, auto-suficiente por natureza... um rei... admitir que o mundo não gira em torno do seu umbigo e que existem coisas importantes e valiosas em outras partes do mundo. E mais, reconhecer o valor do próprio "inimigo"...

Era, verdadeiramente, um grande homem, não?! Mas não foi isso que me chamou a atenção para o caráter dele...

Em certa ocasião, enquanto a professora ensinava a seus 68 filhos (pois é! o cara era foda! e, como ele disse, passou metade da vida num mosteiro!!! imaginem!!! rs), o príncipe-herdeiro e o filho da professora tiveram uma discussão (dessas bobas de criança), o inglezinho empurrou o príncipe e a professora pôs os dois de castigo.

Avisado, o rei foi até a "escola" e perguntou a uma de suas esposas o que havia acontecido... E ela disse: "o garoto inglês empurrou o príncipe". Então, para minha surpresa, ele olhou para a esposa e perguntou: 

- Por quê?

Entenderam? O homem era o REI do país, e o filho dele (herdeiro ao trono) foi empurrado pelo outro garoto e ele perguntou o porquê. 

Se essa mesma situação ocorresse com muitos, que não são 1% do que ele foi, eles jamais se dariam a esse trabalho. Simplesmente se indignariam e iriam "tirar satisfações" com a mãe da outra criança. (Tô mentindo?!). Mas voltando à história...

A esposa respondeu: -Porque o príncipe insultou a memória do pai do garoto. O rei simplesmente deu meia-volta e foi embora.

ISSO é ter caráter. É saber que, apesar de rei e príncipe, eles devem respeito às outras pessoas. Consequentemente, não existe onipotência... existem regras de conduta, existem proibições para qualquer um.

E esse tipo de valor tem que ser passado de pai para filho. No caso da história... o príncepezinho ficou até a noite em pé do lado do quadro porque não quis cumprir o castigo (escrever x vezes no quadro alguma frase "eu não devo" qualquer) e o rei mandou o jantar da professora, preocupado com a possibilidade de ela sentir fome.

Uma lição pra muita gente mesmo. Principalmente para esses "zé ninguéns" que ficam se achando grande merda! 

Assistam ao filme, é muito bom!

6 comentários:

Daniela Guerra V disse...

Ameiiiiiiiiii, simplesmente amei, e veio a calhar. Vou assistir esse filme. Obrigadão pela dica !

Dama de Cinzas disse...

Lindo post! Como é característica sua escrever bem.

Admito todos os defeitos numa pessoa, mas gente mau caráter me afasto imediatamente, assim que percebo e não dou segunda chance. São pessoas perigosas, que se estão em um ambiente, agem como uma laranja podre, apodrecendo o resto.

Interessante esse filme, não conhecia, vou caçar para assistir, até porque adoro a Jodie Foster.

Beijocas

Meri Pellens disse...

Se muitos filhos de papai, que nem príncipes são, fossem educados assim, quantos delitos covardes e assombrosos seriam evitados em nossas cidades, não? Infelizmente eles continuam sendo daqueles que se acham melhores sem ser.
Excelente seu texto.
Beijo na alma, Ju.

Liana disse...

Fiquei com MUITA vontade de assistir ao filme...

E infelizmente, caráter não se vende né... (senão a gente comprava e fazia doação pra muitas pessoas...)

Desabafando disse...

Olha, fiquei com vontade de assistir ao filme, parece bem legal! E infelizmente caráter é algo raro hoje em dia. As pessoas muitas vezes se sentem com o rei na barriga e acham que podem pisar e despejar toda a maldade que tem dentro de si por ai.

Viiii disse...

Júú! Que post mais doce! Lindo mesmo, adorei! Sim, caráter é algo fundamental e que realmente faz as pessoas se destacarem, pelo menos eu prezo isso demais.
Ahh, esse filme é liiindo. Já assisti há um milhão de anos atrás. Tenho que rever. Não lembro da história, sei que tem a Ana e que tem o Rei e que a história é linda. MAs voltando ao que vc disse, apoiado em tudo, combina bastante até com uma poesia publicada no blog da Maria Alice.. http://blogat-blogat.blogspot.com/2011/03/eterea.html
Passa lá, tenho certeza que vc irá gostar! Beijos e boa semana.